domingo, 15 de fevereiro de 2009

SOBRE RELACIONAMENTOS...

Diversos acontecimentos pessoais tem me feito refletir sobre relacionamentos afetivos (leia-se namoros, "ficadas", rolos, etc). Sempre tive a convicção de que experiências passadas haviam feito de mim uma pessoa mais segura e bem-resolvida, uma pessoa que sabe o que (ou quem) procura e que tem segurança para tomar decisões efetivas no que diz respeito a relacionamentos.
Não quero agora refutar que tudo o vivi moldou a pessoa que sou hoje e a forma com a qual enxergo aqueles com quem me relaciono, mas as coisas não são tão simples assim... Não existe uma relação direta entre experiência e maturidade para encarar relacionamentos. A partir disso comecei a questionar algumas "verdades" que havia postulado para a existência em geral.
Sempre achei que o que todos deveriam buscar, em primeiro lugar na vida, era o auto-conhecimento. E continuo vendo muito mais mérito naquele que conhece a si mesmo do que aquele que passa a vida tentando entender os outros e esquece-se de si. A sensação que venho tendo é a de que me conheço razoavelmente bem, entretanto sinto que isso não é suficiente para que eu tome decisões acertadas e maduras que condizem com a minha essência ou com os valores que sei que tenho e que regem muitas das minhas ações.
Ao começar um relacionamento novo, tudo se confunde e, por mais que todos os sinais levem a uma conclusão certa, passo uma borracha em tudo o que vivi e começo um processo de enganação própria. Eu, tentando iludir a mim mesma. Eu, tentando me passar pra trás. Eu, rejeitando tudo o que acontece de negativo e me apegando aos (por vezes, poucos) momentos de alegria que vivi ao lado de alguém.
E o engraçado é que conheço os sinais de que algo não vai bem em um relacionamento e que este, muitas vezes, está fadado ao fracasso. Poderia proferir uma palestra a respeito do assunto e sempre me pego dando conselhos que soam muito assertivos a amigas e amigos desesperados. Por que é, então, que quando me vejo numa situação repetida ou numa situação sobre a qual já refleti bastante, faço questão de acreditar que tudo pode ser diferente desta vez e que, talvez, todas as teorias que criei previamente não passam de besteiras?
Sei que a auto-enganação não é uma característica exclusivamente minha. Arrisco-me até a dizer que todos a tem em si, em maior ou menor grau. Já acudi diversos amigos que reclamavam de problemas em seus relacionamentos. O curioso é que os problemas são SEMPRE os mesmos: ciúmes exacerbados, não-aceitação de características do(a) parceiro(a), desconfianças, traições, etc. Há um ciclo muito previsível para muitas pessoas que passam por isso. Primeiramente, há a fase de indignação (algumas pessoas tem brigas ferrenhas, outras"pedem um tempo", outras terminam o relacionamento), em seguida costuma-se lembrar dos momentos felizes vividos ao lado do outro, até que finalmente acontecem promessas mútuas em que palavras como "eu juro que vou mudar" são proferidas. Costumo brincar com algumas amigas, dando-lhes o apelido carinhoso de "mulher de malandro"...rs. E não nego que eu também, diversas vezes, já usei a expressão para me referir a mim mesma.

Pensando sobre isso, há alguns dias, cheguei a amaldiçoar essa minha capacidade de me auto-iludir. Fiquei com raiva de mim mesma por não conseguir colocar em prática tudo aquilo que funciona tão bem na teoria. Mas depois de analisar o problema mais a fundo, cheguei à conclusão de que passar por isso é necessário. O que seria de nós se nos mostrássemos céticos acerca de tudo e de todos? Em quais esperanças nos apoiaríamos para continuar levando a vida de maneira bem-humorada? Como nos arriscaríamos em novos relacionamentos não fosse essa vontade de acreditar que "tudo pode ser melhor desta vez"? PODE ATÉ SER QUE UMA HORA A GENTE ACERTE...

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