terça-feira, 18 de agosto de 2009

O PRÍNCIPE ENCANTADO

Como é que será que a gente faz pra saber quem é a pessoa certa pra gente, hein?

Costumamos imaginar aquele(a) com quem iremos andar de mãos dadas, que vai encher nossos dias de momentos felizes, que vai nos fazer rir e suspirar. Daí, estabelecemos uma série de características que tal pessoa deve ter – alguns pré-requisitos básicos (às vezes, nem tão básicos assim) que alguém precisa preencher pra estar ao nosso lado. E a gente acha que só aquela pessoa que a gente pintou vai poder, um dia, nos fazer felizes.

O meu príncipe encantado gosta e-xa-ta-men-te das coisas que eu gosto – os mesmos livros, os mesmos filmes, as mesmas músicas... Nossos objetivos para o futuro são os mesmos. Ele sente por mim aquilo que sinto por ele – nem mais, nem menos. Ele gosta dos meus amigos e eu gosto dos amigos dele. Quer sair pra dançar quando eu quero e quer ficar em casa assistindo filme quando eu também estou a fim de ficar quieta.

Pena que príncipe encantado só existe em contos de fadas! A gente nunca acha alguém que é precisamente tudo aquilo que a gente sempre sonhou. Há sempre um defeitinho aqui e outro ali. Há sempre alguma coisa que não te agrada. E talvez este seja o grande lance de estar com alguém – essa negociação eterna, em que um cede em prol do outro, ou em que um não cede e o outro respeita. O difícil é saber reconhecer os limites com os quais ambos podem trabalhar. Ceder demais não é legal. Ser rígido demais, também não.

Então, a pergunta é: -Como é que a gente faz pra descobrir qual é a margem de erro aceitável pra nossa definição de príncipe encantado?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Caio Fernando Abreu já dizia...

"Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não.
Contidamente continuamos. E substituímos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.”

terça-feira, 7 de abril de 2009

Um texto inacabado...

Gente, vou postar um texto sem fim, porque meu humor mudou repentinamente e não estou conseguindo terminá-lo. Acho que a inspiração para acabá-lo retornará em exatos 28 dias... =)

A menstruação

O fato de agora publicar um texto com uma proposta diferente dos anteriores já era previsível. As razões se encontram no primeiro texto que publiquei no meu blog. Sou mutante. Diria que sou, na verdade, um paradoxo constante. Por que só hoje, um dia que meu mau-humor está completamente aflorado e minha cabeça encontra-se em estado de dor profunda, resolvi escrever um texto pra publicar no blog? Vai entender...

Bem, vou começar a tratar daquilo a que me propus – a menstruação (juro que tentei achar um eufemismo para usar aqui, mas o dicionário de sinônimos do word apresenta sugestões muito piores. Acreditem!). Estava há pouco pensando em quão terrível é esta fase pela qual as mulheres tem que passar todos os meses. A menstruação dá sinais de sua chegada dias antes do fato realmente consumado. A famosa TPM é justificativa (muito plausível, diga-se de passagem) de um humor azedo, de falta de paciência, de desentendimentos entre amigos (as), cônjuges, “o caralho a quatro”.

A menstruação dá sinais de sua chegada - a dor de cabeça que a precede nunca falha, isso sem falar na falta de paciência e irritação profunda. Sempre sei qual será o pior dia do mês. Nada que acontecer de bom vai me animar. Por outro lado, coisas como um tropeção na rua acabarão com meu dia. Minha instabilidade não me permite dizer as emoções que um tropeção pode causar em mim – posso xingar o chão – ou até algum transeunte desavisado que esteja passando no momento – ou posso me debulhar em lágrimas e perguntar a Deus o que estou fazendo nesse mundo.

E por falar nesta energia superior que harmoniza o universo, fico pensando porque Deus criou a menstruação. Será que nosso corpo e os fenômenos que ocorrem com ele sinalizam para uma vontade divina de que as mulheres, para fugir desse incômodo mensal que nos aflige, engravidem de nove em nove meses? Hoje, no auge do mau-humor, comecei a pensar que esta fosse uma boa saída, não fosse a dor do parto, que parece ser retroativa – é a soma da dor de nove meses de menstruação contida.

Ao que me parece, as mulheres foram muito injustiçadas. Por que só a nós foi devotada toda dor inevitável do universo? Digo dor inevitável para que nenhum homem metido a besta venha a argumentar que não há dor mais intensa do que aquela causada por um chute ou uma joelhada nos seus órgãos sexuais. Se a menstruação fosse também um resultado quase certo de uma partida de futebol com os amigos, nós mulheres, inteligentes que somos, não nos atreveríamos a praticar tal esporte.

O problema é que sai ano, entra ano, a “bendita” chega sem pedir licença. Faz um furacão na nossa vida emocional e depois a gente tem que se virar pra fazer os remendos.

O único ponto positivo que vejo em tudo isso é o fato de podermos nos utilizar da menstrução e do período que a precede para justificar muitas das nossas burradas. “Eu te liguei ontem de madrugada pra discutir relacionamento porque a TPM me deixa muito sensível”; “Eu te chamei de filho da puta no fim de semana passado porque a TPM deixa meus nervos a flor da pele.”; “Eu fiz barraco na frente dos seus amigos e joguei um copo de vinho em você e naquelazinha com quem você estava conversando porque fico muito irritada quando minha menstrução está quase chegando”.

(Não perca o próximo capítulo!!!)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

SOBRE RELACIONAMENTOS...

Diversos acontecimentos pessoais tem me feito refletir sobre relacionamentos afetivos (leia-se namoros, "ficadas", rolos, etc). Sempre tive a convicção de que experiências passadas haviam feito de mim uma pessoa mais segura e bem-resolvida, uma pessoa que sabe o que (ou quem) procura e que tem segurança para tomar decisões efetivas no que diz respeito a relacionamentos.
Não quero agora refutar que tudo o vivi moldou a pessoa que sou hoje e a forma com a qual enxergo aqueles com quem me relaciono, mas as coisas não são tão simples assim... Não existe uma relação direta entre experiência e maturidade para encarar relacionamentos. A partir disso comecei a questionar algumas "verdades" que havia postulado para a existência em geral.
Sempre achei que o que todos deveriam buscar, em primeiro lugar na vida, era o auto-conhecimento. E continuo vendo muito mais mérito naquele que conhece a si mesmo do que aquele que passa a vida tentando entender os outros e esquece-se de si. A sensação que venho tendo é a de que me conheço razoavelmente bem, entretanto sinto que isso não é suficiente para que eu tome decisões acertadas e maduras que condizem com a minha essência ou com os valores que sei que tenho e que regem muitas das minhas ações.
Ao começar um relacionamento novo, tudo se confunde e, por mais que todos os sinais levem a uma conclusão certa, passo uma borracha em tudo o que vivi e começo um processo de enganação própria. Eu, tentando iludir a mim mesma. Eu, tentando me passar pra trás. Eu, rejeitando tudo o que acontece de negativo e me apegando aos (por vezes, poucos) momentos de alegria que vivi ao lado de alguém.
E o engraçado é que conheço os sinais de que algo não vai bem em um relacionamento e que este, muitas vezes, está fadado ao fracasso. Poderia proferir uma palestra a respeito do assunto e sempre me pego dando conselhos que soam muito assertivos a amigas e amigos desesperados. Por que é, então, que quando me vejo numa situação repetida ou numa situação sobre a qual já refleti bastante, faço questão de acreditar que tudo pode ser diferente desta vez e que, talvez, todas as teorias que criei previamente não passam de besteiras?
Sei que a auto-enganação não é uma característica exclusivamente minha. Arrisco-me até a dizer que todos a tem em si, em maior ou menor grau. Já acudi diversos amigos que reclamavam de problemas em seus relacionamentos. O curioso é que os problemas são SEMPRE os mesmos: ciúmes exacerbados, não-aceitação de características do(a) parceiro(a), desconfianças, traições, etc. Há um ciclo muito previsível para muitas pessoas que passam por isso. Primeiramente, há a fase de indignação (algumas pessoas tem brigas ferrenhas, outras"pedem um tempo", outras terminam o relacionamento), em seguida costuma-se lembrar dos momentos felizes vividos ao lado do outro, até que finalmente acontecem promessas mútuas em que palavras como "eu juro que vou mudar" são proferidas. Costumo brincar com algumas amigas, dando-lhes o apelido carinhoso de "mulher de malandro"...rs. E não nego que eu também, diversas vezes, já usei a expressão para me referir a mim mesma.

Pensando sobre isso, há alguns dias, cheguei a amaldiçoar essa minha capacidade de me auto-iludir. Fiquei com raiva de mim mesma por não conseguir colocar em prática tudo aquilo que funciona tão bem na teoria. Mas depois de analisar o problema mais a fundo, cheguei à conclusão de que passar por isso é necessário. O que seria de nós se nos mostrássemos céticos acerca de tudo e de todos? Em quais esperanças nos apoiaríamos para continuar levando a vida de maneira bem-humorada? Como nos arriscaríamos em novos relacionamentos não fosse essa vontade de acreditar que "tudo pode ser melhor desta vez"? PODE ATÉ SER QUE UMA HORA A GENTE ACERTE...