Ontem assisti a uma performance circense realizada em minha cidade, Ouro Preto. Tratava-se de um cortejo de crianças envolvidas em um projeto da Vale. Grande parte destas crianças têm condições financeiras bastante restritas, famílias pobres e fazem parte de um contexto que as convida à vida do crime, do trabalho infantil, da infelicidade.
Foi emocionante ver que elas optaram por algo diferente - escolheram se envolver e se engajar no projeto que dá a elas a oportunididade de aprender técnicas circenses e, muito além disso, escolheram a socialização, a força de vontade, a certeza de que a vida não tem limites e que nosso destino não está necessariamente ligado às condições sociais que nos cercam.
A apresentação foi emocionante também por outro motivo: o fato de poder ver crianças que têm a chance de serem crianças de verdade. Talvez muito mais do que possam ser cotidianamente. Elas corriam de forma desordenada, erravam, tentavam de novo, abriam sorrisos por terem conseguido realizar algum movimento mais complicado, faziam "tinino" para conhecidos... Foi lindo de ver.
Depois disso, não pude evitar uma comparação com o que se vê mundo afora. Lembrei-me, especificamente, da abertura das Olimpíadas da China, em que tudo parecia (e certamente, era) cronometrado, em que não havia espaço para erros. Todos agindo de maneira uniforme e sincrônica. Nada poderia fugir do ideal de perfeição.
Acredito na inacuidade, na imprevisibilidade, no erro. Deveríamos nos dar a chance de errar e de fazer de novo - talvez, muito melhor da segunda ou da terceira vez. Ao assistir ao referido evento da China, fiquei pensando que as pessoas poderiam ter sido substituídas por robôs e os espectadores teriam a mesma reação - o senso de que algo grandioso está sendo feito, algo que mostra ao mundo a organização e o desenvolvimento chineses.
A alguns, fica a sensação de detalhismo que leva à perfeição. A outros, o que se mostra é um detalhismo que beira a loucura, um detalhismo que não leva em consideração os ímpetos humanos e, principalmente, as destrezas infantis - tão naturais e tão singelas em sua essência.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário